O dilema do tempo
Ninguém desiste de publicar. A agenda desiste por eles.
Todo programa de conteúdo executivo começa com um sim. O executivo concorda na reunião, o calendário é montado, e duas semanas depois a primeira pauta venceu sem resposta. Não foi falta de vontade. Foi o custo de oportunidade da hora dele, que é o mais alto da empresa.
O tamanho da agenda
A semana de um CEO já está cheia antes de você pedir qualquer coisa.
Porter e Nohria mediram isso com precisão incomum: os assistentes executivos de 27 CEOs classificaram o tempo deles em blocos de quinze minutos, dia e noite, por treze semanas. Mais de sessenta mil horas.
do tempo de trabalho de um CEO acontece dentro de reuniões
São 37 reuniões numa semana típica.
de trabalho por semana, na média
9,7 horas por dia útil, mais 3,9 horas aos sábados e domingos.
do tempo é reativo
Respondendo ao que aparece, não ao que foi planejado.
Michael E. Porter e Nitin Nohria, “How CEOs Manage Time”, Harvard Business Review 96, n. 4 (julho–agosto de 2018): 42–51. Números de 2018: dimensionam a agenda, não o comportamento digital.
O custo escondido
A hora do executivo é a parte barata.
Nos programas que funcionam, o executivo aparece pouco: a Brunswick Insight encontrou uma média de 30 a 60 minutos por semana, entre pensar a estratégia, gravar o que precisa e olhar os resultados. A conta que ninguém faz é a de trás.
por semana do próprio executivo
Média entre programas considerados exemplares.
pessoas em tempo integral por executivo, sustentando o programa por trás
É esse time que a sua empresa contrataria para fazer isso dentro de casa, por executivo colocado no ar.
Brunswick Insight, “Connected Leadership”, Brunswick Group, edição de 2022. Os dois números acima vêm de 16 entrevistas em profundidade com programas selecionados como exemplares, não da amostra de 3.600 respondentes: é um teto observado entre quem faz bem.
O que isso produz
Diretorias inteiras em silêncio, sem ninguém ter decidido isso.
Analisamos os perfis de executivos de empresas que ainda não eram nossas clientes. O padrão se repete em quase todas: a conta existe, a rede existe, e a publicação não acontece.
publicam menos de uma vez por mês
Entre 79 perfis de executivos de grandes empresas, antes de trabalharem com a gente.
publicações autorais no ano inteiro, na mediana
Não por trimestre. No ano.
não publicaram nada
Nenhuma peça autoral na janela analisada.
Como a gente remove
Dez minutos por semana, e nenhum deles é uma reunião.
O desenho parte de uma premissa: o executivo só entra onde é insubstituível. Todo o resto sai da agenda dele, e é a nossa equipe que carrega, não a sua.
Cinco minutos de áudio
No WhatsApp, quando der. É a única parte que só o executivo pode fazer, porque a história é dele.
A aprovação, que pode não ser dele
Um colega de confiança opera o painel em nome dele: revisa a ideia, escolhe a pauta, agenda. Quem concede e quem revoga esse acesso é o admin da sua empresa, e cada ação fica registrada no nome de quem a fez.
Meia hora por mês
Uma conversa para calibrar o que vem pela frente. O resto do mês corre sem ele abrir nada.
A prova de que é estrutural
Programas maiores sobrevivem mais. Não é coincidência.
Se o problema fosse motivação, o tamanho do programa não mudaria nada. Muda. Em programas de três executivos ou mais, 68% seguem publicando aos seis meses e 50% aos doze. Abaixo de três, os mesmos números caem para 46% e 34%. Um executivo sozinho carrega o programa na própria agenda; um grupo divide o peso, e a operação deixa de depender de uma única pessoa abrir o painel.
Base: 80 e 44 executivos em programas de três ou mais, 91 e 65 abaixo de três. São dois grupos diferentes, não os mesmos medidos duas vezes, e programas maiores também têm mais patrocínio interno, o que a curva não separa.
O que a hora compra
Quem decide a compra lê isso, e conversa pouco com vendedor.
A Edelman e o LinkedIn perguntaram a 1.934 executivos como eles avaliam fornecedores. Entre os decisores que a área comercial quase nunca alcança, 71% dizem ter pouca ou nenhuma interação com vendas, e 64% confiam mais no conteúdo autoral de uma empresa do que no material de marketing dela na hora de julgar competência. Publicar toda semana é como se chega a essas pessoas.
Edelman e LinkedIn, “2025 B2B Thought Leadership Impact Report”, Sétima edição anual. Campo de 17 de março a 3 de abril de 2025, num único mercado: os Estados Unidos.
Veja quanto tempo a sua diretoria não está usando.
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